segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

EU - LOLO

  Lolo Arziki in Auto Retrato
                                 






Quando eu era criança, colocava lagartas dentro de uma caixa de fósforos para que elas se transformassem em borboletas 

 Lolo é meu nome.
Nasci em Cabo Verde em 1992 no dia 5 de Fevereiro na cidade da Praia, ilha de Santiago a meio da separação dos meus pais. Desta altura só me lembro do Amor. Quando fiz 4 anos, a minha mãe emigrou para Portugal com uma das minhas irmãs e eu passei a viver ora com minha avó na ilha do Maio, ora com outros familiares na cidade da Praia. Até os meus 13 anos vivi entre essas duas realidades. 

Quando era pequena, tinha o hábito de dormir com a mão dentro da calcinha e acariciava-me. Todos os dias a meio da noite acordava com gritos de quem cuidava de mim, acabando por ficar de castigo. Logo, em vez de aprender a amar-me aprendi a esconder as minhas emoções e a reprimir a minha natureza. A Natureza feminina. 
Quando somos mulher dentro de um sistema educativo e cultural em Cabo Verde aprendemos facilmente a censurar o nosso próprio corpo e a nossa essência feminina. 
 
A pressão ou prisão onde cresci, a ausência dos meus pais na minha infância, deixava-me triste, solitária, carente, tudo o que eu tinha direito. Falava sozinha, isolava-me, não tinha muitos amigos, não gostava de brincadeiras mais agressivas. Bastava-me um irmão, uma amiga, um papel para rabiscar ou quatro paredes para me acomodar. A minha preocupação era em me proteger, talvez por sentir falta de amor maternal e saber que quando eu me protegia compensava esse amor.  
Cresci numa realidade cheia de mistérios em que cada uma das pessoas ao meus redor só se preocupavam em esconder-se dos seus próprios conflitos e frustrações. Não havia espaço para o amor. Não havia espaço para a partilha da DOR. 

   E eu continuei a crescer ...








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